quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Pequena Crônica Desertos

“Só eu sei
Os desertos que atravessei
Só eu sei, só eu sei
Sabe lá, o que é morrer de sede
Em frente ao mar
Sabe lá, sabe lá
E quem será na correnteza do amor
Que vai saber se guiar
A nave em breve ao vento vaga
De leve e traz toda a paz
Que um dia o desejo levou
Só eu sei
As esquinas porque passei
Só eu sei, só eu sei
E quem será na correnteza do amor
Que vai saber se guiar
A nave em breve ao vento vaga
De leve e traz toda a paz
Que um dia o desejo levou
Só eu sei, as esquinas porque passei
“trecho de Esquinas (composição: Djavan)


Pequena Crônica Desertos

Tentando voltar a levar a vida normalmente, num processo que inclui, entre outras coisas, me readaptar ao trabalho, pois além das muitas mudanças que significam estar de volta em um ambiente em que sempre me senti segura e realizada sem, no entanto, ter a mesma desenvoltura de antes, aconteceu de eu ter sido mudada de setor de trabalho o que significa aprender a desenvolver uma nova tarefa longe dos antigos colegas.  
E Além do trabalho, a inevitável dependência para realizar qualquer projeto ou mera vontade de ir e vir.
Não, não tem sido nada fácil e nem eu esperava que fosse. Só que às vezes tento entender como isto foi me acontecer. Avida sempre foi tão branda comigo e de repente ela parece me tomar numa atitude ressentida por eu ter sido sempre tão feliz. Como se eu devesse me sentir culpada porque a vida era boa comigo. Não, não sinto culpa, sinto saudades; chego a implorar para que ela me redima finalmente e me traga de volta à minha realidade de pessoa tranquila, livre e feliz e ela faz que não me ouve, então o tempo se arrasta de um jeito quase insuportável.
 É bom estar viva sim, é bom poder estar aqui mesmo sendo tão difícil carregar o indubitável peso de ter sido feliz um dia.
Eu sei, eu sei, o texto me saiu amargo, agora que fiz uma releitura foi impossível não perceber, eu não tenho intenção alguma de fazer isto, não quero que sintam qualquer tristeza por mim, que tenham remorsos ou pena, não quero contagiá-los com sentimentos tão ásperos, é que não pude evitar fazê-lo, quem me conhece de perto sabe de uma máxima que sempre repeti para mim:

“Sou uma Oliveira, e como tal a natureza me dotou de todas as armas necessárias para resolver qualquer contratempo”.  Inclusive este cansaço, este desânimo, estas saudades imensas; e continuo na batalha.

Estejam comigo, perto de mim quando puderem, eu os amo muito e sempre ficarei cada vez melhor quando puder contar com a presença, o abraço, a voz de cada um de vocês.

De uma saudosa amiga:
Mônica Oliveira

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Sobre o Amor e Milagres

Sobre Amor e Milagres
Vivemos esperando
Dias melhores
Dias de paz, dias a mais
Dias que não deixaremos
Para trás
Oh! Oh! Oh! Oh!...

Vivemos esperando
O dia em que
Seremos melhores
(Melhores! Melhores!)
Melhores no amor
Melhores na dor
Melhores em tudo

Oh! Oh! Oh!...

Vivemos esperando
O dia em que seremos
Para sempre
Vivemos esperando
Oh! Oh! Oh!
Dias melhores prá sempre
Dias melhores prá sempre
Dias Melhores - JotaQuest

Na verdade vivemos como se fôssemos ilhas e como se o que sentimos não tocasse, não influísse na vida de quem amamos e de quem nos ama, mas esquecemos que estamos todos ligados por um cordão suave e mágico que nos foi atado por Deus, o cordão do Amor. Sim, todos estamos atados pelo amor e este amor produz milagres todos os dias, todos os instantes, não percebemos que é um milagre que as partículas de oxigênio e hidrogênio se unam e se transformem em água para prover a terra de tudo quanto ela precisa, e para mantê-la numa temperatura suportável para a vida. A vida é um milagre que foi possível graças a imensa bondade de Deus, do seu Amor, que fez a terra flutuar em uma distância razoável do sol para também receber o calor necessário para a vida florescer. A minha, a sua, a dos vizinhos, a das plantas, animais e de todos os povos deste planeta.  O amor que nos une gera laços de fraternidade entre amigos e de amor entre homens e mulheres que se unirão e trarão a vida  outras crianças como nós já fomos. O Amor é capaz de salvar vidas de transmitir conhecimentos, sabedoria. O Amor nos dá sustentação para manter o equilíbrio e tocar a vida. Quando criancinhas nós precisamos do Amor de nossos pais que amando-nos cuidarão de nós com alimento, conforto, e meios para manter-nos saudáveis.
Enquanto vamos crescendo ainda precisaremos receber e dar amor aos amigos que serão capazes de nos entreter com brincadeiras e nos manter crianças e jovens felizes, portanto psicologicamente saudáveis. Adultos, encontramos alguém para amar como nunca amamos antes e este Amor  provavelmente nos fará mais felizes do que nunca. Felicidade é igual à Saúde. Saúde, vida. Vida, Milagre.


“Porque eu fui amada, Deus me devolveu à vida”. Só por isto ainda posso lhes escrever sobre milagres”

Amem, mesmo que nem sempre seja fácil. Perdoem, mesmo que não consigam perdoar a si mesmos”.  Falem de Amor mesmo que a voz fique embargada, mesmo que não haja ouvidos para escutar, em algum lugar Deus estará ouvindo”
Eu amo a cada um de vocês, tenho-lhes gratidão pelo Amor que me devotaram. Os que vejo sempre, os que vejo de vez em quando e os que nunca mais vi.
Também sinto muita saudade, me escrevam.
Mônica Oliveira

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Crônica Momento de Tontura

Dezenove de Maio de 2006, uma Sexta feira, no fim do expediente no trabalho escrevi este texto e enviei pra uma página que eu mantinha no MSN o MySpace.
Reencontrei-o por acaso lendo esta página e resolvi que deveria publicar no meu blog de crônicas, por isto o estou mandando a vocês. O tema tem tudo haver com o meu estado de espírito atual. Talvez vocês compreendam o porquê. E eu espero que mais uma vez me perdoem a aridez das palavras.

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Momento de Tontura
Num momento de silêncio que nem era tanto silêncio pois, eu bem podia ouvir o som intermitente dos estabilizadores e aparelhos de ar-condicionado, parei zonza, enjoada de qualquer coisa que eu não comi, suspirando sonolenta e sentindo cheiro de café nas pontas dos meus dedos. Cheiro de café que também não tomei. Não quis música para cortar o barulho do silêncio da sala vazia, não quis sair para o corredor porque naquele instante eu o percebia mais longo do que o que realmente é. Não havia mais páginas a visitar, e-mails para ler, palavras para dizer a mim mesma.
Nesse instante ruidoso e quase eterno de tão longo eu pensei: Não escrevo mais.
– E por que não escrevo mais?
– Sabe-se lá?
Há muitos dias eu venho tentando sem sucesso começar a me contar uma nova história e em algum lugar na minha mente ela já está quase toda formada, mas simplesmente não posso começar. Algo de uma infelicidade burra me impede.
Então ainda me sentindo mal, com uma tontura de criança brincando de corrupio fiquei vendo os móveis bailarem pela sala, movendo-se diante dos meus olhos, provocando-me. Não tive intenção de me mexer nem mesmo para respirar. Estava cansada de uma noite que foi tão bem dormida que chega a ser desaforo.
Mas por que mesmo, eu não escrevo mais?
Foi aí que comecei a bater coordenadamente os dedos cheirando a café, nas letras sobre o teclado e me foi surgindo assim este texto amargo, desalinhado…

…E sem final …

sexta-feira, 11 de março de 2011

Uma palavra que só a língua portuguesa conhece

É, o verão já vai adiantado e eis que surge no meu peito um sentimento um pouco doloroso e inevitável, a Saudade.
Aconteceu lá no litoral Sul de Alagoas, sentada na areia encarando uma das minhas primeiras paixões, na mesma praia em que me apaixonei aos quatro ou cinco anos de idade. O imenso e maravilhoso mar esverdeado do Pontal do Peba me seduziu ainda menina, na época minha mãe tinha dificuldade para me convencer a sair da água para comer, eu passava horas sob o Sol dentro da maré morna e acolhedora da praia, depois na adolescência passei a fazer esta viagem mais independente, com amigos, e não com meus pais, a paixão só aumentava, eu amava entrar na água, dar um mergulho, os braços estendidos e ficar flutuando na superfície da água salgada de braços abertos, era uma delícia.
Mas algo de diferente aconteceu no meu caminho e hoje ao encarar o mar esverdeado como quem olha nos olhos verdes de uma paixão só posso lamentar que precise me limitar a ficar olhando de fora, ou mesmo que entre na água, é preciso ter alguém comigo para garantir a minha segurança, segurar a minha mão, não tenho equilíbrio e também não posso abrir os braços para um mergulho, uma das minhas mãos pende de um ombro alheia à paisagem, à água morna que me chama, e eu não consigo mais me entregar às delícias daquele mar que me seduziu há mais de 15 anos. Então sentei na areia e calada senti uma lágrima embotar minha visão, e sem mover um músculo sequer fiquei quieta sentindo a saudade machucar fundo em mim.
Permaneci quieta, não queria importunar os amigos que estavam cantando perto de mim na areia. Não havia nada que qualquer um deles pudesse fazer por mim. Quem sabe não leve muitos verões e volte a ser como devia ser. Ou não. Só o tempo mostrará, eu continuo lutando. Vamos ver se a vitória virá. Não quero chateá-los com esta crônica, vocês meus leitores. É que faz semanas que eu buscava um assunto para lhes escrever, lamento a aspereza do tema que encontrei, mas não tenho culpa, estava também no meu caminho topar com uma palavra que só a nossa língua conhece: Saudade.

Um Beijo em cada um e dêem notícias.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Crônica Você Se Lembra?

Você se lembra quando todas as estradas terminavam em uma noite estrelada?
Quando o vento era quente sobre a pista em vez de refrescar esquentava mais a pele.
Você lembra quando uma garrafa de café era feita pra ser dividida e tomada até não restar mais nada.
Você lembra quando se podia ser amigo e conversar sobre qualquer assunto sem qualquer censura. Você lembra quando um simples abraço podia curar qualquer mal-estar?
Você se lembra quando a tarde era toda azul e terminava com o sol baixando entre nuvens cor-de-rosa?
Você se lembra quando eu ria de quase tudo que você contava? Ou se não ria, ao menos sorria com interesse.
Você se lembra como costumávamos dividir a fome e o lanche?
Você se lembra quando sempre havia pressa? Quando o tempo era sempre curto? Mesmo que nós corrêssemos? Você se lembra quando foi que tudo começou a mudar?
Quando as estradas deixaram de terminar em noites estreladas.
Quando o café deixou de ser dividido.
Você lembra quando desinventaram o abraço.
Quando você deixou de me contar qualquer coisa.
Quando eu deixei de rir.
E quando o mundo ficou assim?
Quando não havia mais o que dividir.
Quando foi que o tempo ficou tão comprido? Quando passamos a caminhar devagar.
Você fará silêncio. Mas eu sei, você se lembra.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Crônica Chances

O Último Dia

Paulinho Moska

Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Ia manter sua agenda
De almoço, hora, apatia
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia

Composição: Paulinho Moska e Billy Brandão

Olhando para trás, para o que me aconteceu, relembro dias de pura felicidade que vivi graças à minha coragem, ou teimosia, ou a não ter dado ouvidos aos conselhos que ouvi...

Eu sei que esta é uma afirmação que pode gerar desconforto aos acomodados e aos que se julgam equilibrados. Vou explicar melhor:

Antes do meu acidente, alguns de vocês devem lembrar, eu não me incomodava em sair por aí sozinha com uma mochila nas costas para onde quer que fosse, ou de pilotar sozinha minha moto pelos quinze quilômetros que separam Arapiraca do Bom Nome a qualquer hora, com tempo firme ou com chuva, sem medo e sem esperar por ninguém.

Estas atitudes permitiram que eu tivesse vivido momentos de liberdade e alegria indescritíveis, e que hoje, devido a toda a limitação física que me foi imposta pelas seqüelas do TCE, hoje eu não poderia mais sentir, ao menos por enquanto, então eu penso em quanto arrependimento eu carregaria hoje se por qualquer razão naquela época eu tivesse deixado de seguir em frente em algum destes momentos, eu hoje lamentaria as chances perdidas. Mas, felizmente, eu sempre fui corajosa e aceitei os desafios que apareceram, como naquele fim-de-semana em que minha amiga Vanessa me convidou pra ir a uma reunião da família dela no Miaí de Baixo e eu, que além dela não conhecia mais ninguém na casa, havia ido na véspera da viagem a Garanhuns pra um show do Biquini Cavadão, banda que gosto muito, cheguei de manhãzinha de Garanhuns, vim pra Arapiraca, peguei o ônibus pra o Miaí sozinha e fui ao encontro da minha amiga na praia, vivi um dos fins-de-semana mais divertidos da minha vida daquela vez. Aí me pergunto, e se eu tivesse desistido do show ou da praia porque me diziam que era perigoso viajar sozinha, ou porque tivesse medo de me cansar demais, ou por qualquer outro motivo que alguém possa racionalizar nesta situação, hoje não teria as lembranças daques dias felizes e dificilmente teria outra chance igual àquela.

Vocês devem estar se perguntando o que a Mônica quer dizer afinal com toda esta história?

Eu quero alertá-los. Se vocês têm sonhos, se têm chances de realizá-los, por que não?

Por que esperar por um amanhã que é tão incerto?

Não dá pra prever em que condição estaremos amanhã.

Não dá pra saber qual chance nossa é a última.

Espero que esta pequena história os faça pensar nas oportunidades que vocês podem estar deixando passar de serem felizes, para que vocês não as percam.

Aguardo notícias, sempre cheia de saudades, sempre querendo um pouco mais.

Mônica